Você já pensou nisso?
Todos os dias, tomamos decisões difíceis no consultório. Muitas vezes, nos sentimos sozinhos nesses momentos.
Por mais que tenhamos nossa equipe multi/interdisciplinar — e eu amo a minha! — a escolha do que falar, dos tratamentos a propor, diante de um paciente e sua família, é algo muito particular.
Do outro lado existe alguém preocupado, ansioso, triste e com medo. Equilibrar todas as informações importantes, falar de forma acolhedora, abordar possíveis dúvidas, prescrever, entender questões socioculturais e tantas outras questões essenciais a essa caminhada é uma tarefa linda, mas longe de ser simples.
Por isso, é essencial que vocês tragam suas angústias para nós. Anotem as perguntas. Falem sobre aquelas informações que chegam por meio de outras pessoas e que geram medo ou insegurança.
Tanta gente traz TANTA informação errada. E, muitas vezes, o bom senso passa longeeeee.
Neste post, falamos especificamente sobre algumas das terapias-alvo utilizadas no câncer de mama, especialmente aquelas direcionadas ao HER2. Mas esse universo é ainda maior.
Hoje também temos os conjugados anticorpo-fármaco (ADCs), como o trastuzumabe entansina (T-DM1/Kadcyla) e o trastuzumabe deruxtecana (T-DXd/Enhertu), que vêm ampliando as possibilidades de tratamento e também conquistando novas indicações.
Vamos falar sobre eles em breve!
Estamos aqui para acolher, tirar dúvidas e cuidar. Da melhor forma possível, sempre.
Trastuzumabe (Herceptin®) é imunoterapia ou vacina?
A pergunta pode ser esquisita, mas…
É MUITO comum as pacientes fazerem referência ao uso do trastuzumabe (e às vezes ao pertuzumabe/Perjeta®, também) como se estivessem fazendo uma vacina ou ainda uma imunoterapia.
E, de cara, já respondo: não é nem vacina, nem imunoterapia!
Acredito que chamem de vacina porque, durante o tratamento, fica bem claro que é algo beeeeem diferente das quimioterapias: não cai cabelo, não requer exames de sangue e tem menos sintomas – seja no tratamento venoso ou no subcutâneo.
E quando à imunoterapia, não sei por que chamam assim.
Mais surpreendente ainda é o fato de alguns profissionais que trabalham com oncologia usarem a terminologia errada, confundindo as pacientes.
O que são, então, o TRASTUZUMABE (HERCEPTIN®) e o ERTUZUMABE (PERJETA®)?
São terapias-alvo moleculares.
O que é “terapia-alvo”?
Em nossas células, existem diversas proteínas/moléculas que formam “pontes” para seu funcionamento adequado.
As células do câncer também possuem moléculas com esse mesmo papel “Atacar’ especificamente ESSAS moléculas é o objetivo dessa terapia.
Como temos um ALVO especifico, os efeitos colaterais sobre as células normais são pequenos.
E como a quimioterapia age?
Ela impede a divisão das células e causa danos nas moléculas do DNA e/ou RNA.
Por atuar em TODAS as células humanas, sejam elas tumorais ou não, a possibilidade de sua ação se estender às células saudáveis e causar efeitos colaterais é grande.
Por isso, podemos ter náuseas, fadiga, queda do cabelo, etc.
E a imunoterapia?
Trata-se de uma opção completamente diferente da quimioterapia (na qual o foco é o combate às células). A imunoterapia age aumentando a imunidade dos pacientes para que o organismo fique protegido do “ataque” de células que sejam diferentes das normais (no caso, as de câncer).
A imunoterapia tem efeitos colaterais?
Como as células normais não são acometidas (como na quimioterapia), os sintomas são muito menores. Porém, com a imunidade exacerbada, reações como alergias, diarreia e infecções no pulmão podem acontecer. Entretanto, a frequência desses efeitos é pequena.
Lembrando…
Temos posts aqui no perfil falando sobre cada um desses tratamentos e como escolhemos qual usar. Eles estão separadinhos (nos DESTAQUES)!
As condutas são sempre individualizadas, baseadas não só nos exames (biopsia-laudo histopatológico e imuno-histoquímica), mas também no exame físico e na história pessoal de cada paciente.
Talvez ele também faça sentido para alguém que você conhece.
Compartilhe com quem está passando por um momento difícil ou precisa de apoio emocional — às vezes, um simples envio pode ser o início de uma grande transformação.
© 2026 Sabrina Chagas | Oncologista Clínica | CRM 52754960 RQE 14262 – Todos os direitos reservados