E depois que o tratamento acabar?

Ao contrário do que muitos pensam, terminar o tratamento nem sempre é sinônimo de paz, liberdade e vida normal.

É frequente a sensação de medo, de solidão e cobranças. 

A angústia de alguns efeitos que ainda não passaram, a ideia não correspondida de que tudo voltaria imediatamente ao normal e as adaptações que são necessárias nesse recomeço.

Lógico que há muito pra comemorar!

Mas somos de carne e osso, precisamos caminhar de forma firme, confiante e amorosa.

Um dia de cada vez, 1% a cada dia.

Um turbilhão de emoções: a alegria por saber que mais uma etapa chegou ao fim, as dúvidas sobre como será a partir de agora, o medo da doença “voltar”.

Essas e outras sensações costumam visitar o(a) paciente quando acaba a quimioterapia, a radioterapia e/ou hormonioterapia.


Para quem acabou a quimioterapia, as consultas não serão tão frequentes. Verdade seja dita, encontrar a equipe traz confiança e acolhe. Mas, e agora?


Também é uma época onde os familiares e acompanhantes costumam retornar suas rotinas. Muitos pacientes se sentem um pouco solitários. Como é com você?


Em outras vezes, é chegada a hora do retorno ao trabalho e as atividades prévias. Mas como voltar se o corpo já não é o mesmo e se existem sequelas do tratamento?


Para quem acabou a hormonioterapia (pode ser tamoxifeno, anastrozol, letrozol, etc), vem a pergunta: não tem problema ficar sem tomar nada?


Parece contraditório, afinal agora mais uma etapa foi vencida. Por que isso aconteceu? Será que os sintomas atribuídos à medicação vão embora?


Outras dúvidas podem aparecer
O que é permitido?
O que é proibido?


Também existem as dúvidas sobre quais exames serão solicitados.


Não raro, a comparação com outras pacientes. Por que algumas fazem tantos exames e outras quase nenhum?


Vamos por partes…
Todas essas dúvidas, angústias e pensamentos fazem parte desse momento. Você não está sozinho(a).
É muito comum o medo se aproximar. Muitas pessoas só começam a processar o que foi vivido quando acaba. Antes, o olhar estava fixo em estar forte para passar pelo tratamento.
Não somos super-heróis e, sim, podemos buscar ajuda para atravessar esses momentos.
Contactar amigos, familiares, adotar uma atividade que traga momentos de descontração ou apoio psicológico são excelentes caminhos.


Os exames: Não se comparem por favooooor!


Cada paciente, com seus tumores em diferentes estágios e características, terá sua rotina.


São protocolos direcionados de forma individualizada.
Alguns farão exames de 3 em 3 meses, depois de 6 em 6. Geralmente, pedimos exame de sangue nesses retornos. Mas todo o resto varia muito.


Quanto aos sintomas, dúvidas e receios…
Eles virão. Fato. E nem sempre no dia da consulta.


Anote tudo para o dia da consulta. Se tiverem como, acessem seus médicos antes. 


Algumas coisas servem para todos…


Autocuidado, autoestima e bem-estar. Não os abandone. E não, não é fácil. A vida é corrida, nos sentimos sozinhos, temos medo. Não devemos depender dos outros nos cuidar.
Reservem momentos para vocês, comprem uma agenda para isso, se for necessário. Saibam dizer “não”.


Atividades físicas sempre (cada um dentro dos eu contexto), alimentação equilibrada (orientada por um profissional, para que não seja sofrida), espiritualidade, lazer (o que te faz feliz?), massagem (por que não?), estão entre muitos caminhos possíveis para esse reencontro necessário da gente como a gente mesmo.

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Dra Sabrina Chagas
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