Mais do outubro Rosa: abandono e violência

Nas 385.995 kkk, palestras do Outubro Rosa, um dos pontos que enfatizo é o que está “além do Rosa”.

Infelizmente essa pauta está presente no meu dia a dia. Não basta o sofrimento com o diagnóstico e tratamento, temos outros pontos que trazem muita angústia.

Temos diversas pautas urgentes no Outubro Rosa, mas precisamos falar sobre a solidão que a mulher com câncer vive. Aliás, se mesmo com suporte familiar e social é comum a sensação de estar sozinha, imaginemos a rotina daquelas que se divorciam ou são abandonadas por seus companheiros.

O apoio emocional e a preservação dos laços afetivos são essenciais para que as mulheres em tratamento possam enfrentar a doença com mais força e determinação. Se você conhece alguém nessa situação, ofereça seu apoio. Pequenos gestos podem fazer toda a diferença.

Quero ouvir vocês: já passaram ou conhecem alguém que passou por isso?

A jornada do câncer de mama costuma ser difícil e dolorosa para toda a família, e não apenas para a pessoa que recebe o diagnóstico.

Estudos mostram que a taxa de divórcios é mais alta em casais que enfrentam o câncer de mama. Cerca de 20% dos casais se separam durante o tratamento.

Além do divórcio, muitas mulheres experimentam o abandono. Isso inclui desde a falta de apoio emocional e financeiro até a saída de casa.

Acho sempre importante trazer dados para vocês:

Journal of Clinical Oncology 2018: analisou a associação entre o diagnóstico de câncer de mama e a separação conjugal em mulheres dinamarquesas. Os resultados mostraram que as mulheres com câncer de mama tinham um risco significativamente maior de divórcios do que as mulheres sem a doenças. Além disso, o risco de divorcio era maior nos primeiros anos após a diagnostico.

Revista Cancer 2017: avaliou a relação entre a saúde mental e a qualidade de vida de mulheres com câncer de mama em relação ao abandono conjugal. Os resultados mostraram que as mulheres abandonadas tinham uma saúde mental significativamente pior do que aquelas que estavam em um relacionamento estável. Além disso, a qualidade de vida também foi afetada negativamente.

European Journal of Cancer Care 2016: analisou as razoes para o divorcio e a separação em mulheres com câncer de mama. Os resultados mostraram que as principais razoes eram problemas de comunicação e dificuldades financeiras. Além disso, a falta de apoio emocional e o medo da recorrência da doença também foram citados como fatores que contribuíram para o divórcio.

Esses dados deixam clara a importância do diálogo franco entre os casais e do apoio psicológico não só para a paciente como para toda a família.

Será que dividimos nossas angustias com nossos companheiros, será que eles compartilham conosco seus medos e ansiedades? Casamento é sobre isso, também!

Existem dados nacionais: Segundo um estudo realizado pela Universidade de São Paulo, cerca de 40% das mulheres com câncer de mama em tratamento passam por uma separação conjugal ou pelo abandono do parceiro. Isso ocorre porque a doença traz autoestima e na saúde emocional das mulheres, além de afetar a dinâmica dos relacionamentos.

Além disso, as mulheres que se separaram eram mais jovens, tinham menor escolaridade e menor renda do que as que permaneceram casadas.

É importante destacar que o abandono feminino em casos de câncer de mama não é sempre uma questão de escolha ou falta de amor. Muitas vezes a sobrecarga de responsabilidades, o medo e a dificuldade de lidar com as emoções da doença acabam gerando um distanciamento emocional do parceiro, que não sabe como lidar com a situação.

Outro dado alarmante é que a violência doméstica também aumenta entre essa população.

Isso pode acontecer a partir da sensação de vulnerabilidade e dependência de seu parceiro ou familiares durante o tratamento. Esses sentimentos podem ser explorados pelo parceiro para exercer controle e violência.

Além disso, o estresse e a ansiedade do tratamento podem exacerbar os problemas preexistentes do relacionamento e levar a comportamentos violentos.

ATENÇÃO: qualquer forma de violência, seja física, psicológica ou sexual, é inaceitável e ilegal.

Se você está passando por isso ou conhece alguém que estejam enfrentando essa situação, busque ajuda imediatamente. Existem organizações de apoio a mulheres em situação de violência que podem oferecer suporte e orientação No Brasil, o numero da Central de Atendimento à Mulher (ligue 180) é uma opção para pedir ajuda e denunciar casos de violência.

Mais estatísticas sobre violência doméstica:

  • Journal of Clinical Oncology 2020: descobriu que as mulheres com câncer de mama tinham duas vezes mais chances de experimentar violência do que as mulheres sem câncer de mama.
  • Supportive Care in câncer 2025: independente da forma de violência (psicológica, física, sexual ou econômica), ela compromete o manejo da doença e o bem-estar durante o tratamento.
  • Breat Cancer Research and Treatment 2019: avaliou a prevalência de violência doméstica em mulheres com câncer de mama. Os resultados mostraram que 17,9% das mulheres relataram ter sofrimento violência domestica durante o tratamento. Além disso, a presença de violência doméstica foi associada a piora da saúde mentar e qualidade de vida dessas mulheres.
  • Supportive Care in Cancer 2017: mostrou que 27,8% das mulheres com câncer de mama relataram ter sofrido violência domestica desde o diagnostico da doença A violência domestica foi associada a uma piora na qualidade de vida e na adesão ao tratamento.

Todos esses dados mostram a importância de um cuidado integral das mulheres em tratamento de câncer de mama, incluindo a identificação e o tratamento de possíveis casos de violência doméstica. É fundamental que as mulheres tenham acesso a serviços de apoio e proteção, bem como a acompanhamento psicológico para lidar com as consequências emocionais da violência.

Durante o tratamento do câncer de mama, o apoio da família e amigos é essencial.

É importante lembrar que ninguém deve passar por isso sozinha. Não hesite em pedir ajuda e apoio emocional e pratico aos entes queridos.

Enfrentar o câncer de mama pode ser uma caminhada difícil, mas com o apoio da família e amigos, muitas mulheres conseguem superar essa fase difícil e se torna ainda mais fortes e resilientes. Não se esqueça de cuidar de si mesma durante o tratamento e nunca hesite em pedir ajuda.

Você não está sozinha.

Referências:

  • Oliveira, S.A. 2012: Separação conjugal após diagnóstico de câncer de mama.
  • Carlsen, K. 2018. Can a cancer diagnosis cause divorce?
  • Palesh, O. 2017. Association of cancer-related symptoms with psychological and social factors in women with non-metastatic breast cancer.
  • Kim, Y 2016. Cancer caregiving predicts physical impairments: Roles of earlier caregiving stress and being a spousal caregiver.
  • Johansson, A. L. 2013. Increased risk of divorce in women with breast cancer in the early phase of disease.
  • Ghajarzadeh, M. 2017. Abandonment in Women With Breast Cancer.
  • Jensen JMB, et al. Relationship Dissolution in Couples Coping With Breast Cancer.
  • Litzelman K. Association of Caregiving With Mental Health, Quality of Life, and Physical Health Among Women With Breast Cancer: A Systematic Review
  • Huai, Q. 2025. Experiences of intimate partner violence among female cancer patients: a meta-synthesis of qualitative research.

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