Começo com aquela palavra que vocês veem tanto por aqui:
“DEPENDE”
É importante entender que nem todos os quimioterápicos levam à queda do cabelo.
Mas, sim, a maioria (não todos!) usados no tratamento do câncer de mama trazem esse efeito.
POR QUE CAI?
A quimioterapia age em todas as células de rápido crescimento em nosso corpo.
Como a célula cancerígena tem a característica de crescer e se multiplicar mais rapidamente que as células normais, ela é muito afetada por esses medicamentos.
Como os cabelos estão em constante crescimento, a quimioterapia afeta sua raiz levando a sua queda. Este é um efeito comum de medicamentos como as antraciclinas (“quimioterapia vermelha”) e os alquilantes, como a ciclofosfamida, que são usados frequentemente no tratamento.
Outros medicamentos, como os taxanes (“quimioterapia branca”), afetam a estrutura do fio de cabelo, tornando-os mais quebradiços e causando também a sua queda.
O cabelo nasce igual?
Ele volta a nascer em torno de 20 dias após o término da quimioterapia e, nesse início, costuma ser mais FINO.
Algumas pacientes relatam uma mudança de textura, com cabelo mais ondulado, mas ele volta ao normal.
Quando posso voltar a pintar?
Não temos uma data prevista na literatura médica, mas prefiro orientar minhas pacientes a esperar o cabelo ficar mais “forte”. Porém, essa é uma conduta pessoal.
E a touca gelada?
Em muitos centros já temos uma touca por onde circula um liquido/gel gelados (-16 graus, em média) que, por levarem a uma constrição dos vasos sanguíneos dessa região, não permitem que os quimioterápicos circulem na região.
A touca deve ser colocada um pouco antes do início da quimioterapia e retirada também um tempo após.
É confortável? A maioria das pacientes não acham, mas muitas se acostumam.
É garantido que não haverá queda? Não. Alguma queda pode acontecer e, em tratamentos mais intensos, o cabelo pode cair todo. Mesmo assim, alguns artigos afirmam que seu uso faz o cabelo nascer.
As sobrancelhas também caem?
DEPENDE!
Em geral, quem tem as sobrancelhas volumosas consegue manter os pelos durante o tratamento. Uma boa dica é fazer uma “micropigmentação” ou similares antes do início do tratamento para a paciente sentir menos essa perda.
A hormonioterapia também faz o cabelo cair?
A maioria dos artigos relatam uma queda LEVE do cabelo, mais relacionada aos inibidores da aromatase (letrozol, anostrozol, etc) do que ao tamoxifeno. Mais raramente vemos uma queda intensa e essa possibilidade tem a ver com uma tendência prévia individual.
Essas alterações são relacionadas às alterações hormonais causadas pelas medicações e vemos que trata-se de uma queda semelhante a observada na MENOPAUSA usual da população geral.
Podemos fazer algum tratamento?
Sim! Autoestima IMPORTA!
Vale lembrar que a imagem que vemos no espelho reflete uma identificação nossa não só com o exterior, mas com o nosso FEMININO, com a nossa autoestima, bem-estar e, inclusive, nossa capacidade de lidar em sociedade.
Cabelo NUNCA vai ser “besteira” (infelizmente ouço isso, às vezes). Frases como “logo, logo nasce”, “é só o cabelo”, “o que importa é que você está bem”, desvalorizam o sentimento de quem já está em sofrimento por vários motivos.
Por fim, existem alguns tratamentos e cuidados possíveis. Por isso, sempre vale a avaliação de uma dermatologista com foco nessa área.
Talvez ele também faça sentido para alguém que você conhece.
Compartilhe com quem está passando por um momento difícil ou precisa de apoio emocional — às vezes, um simples envio pode ser o início de uma grande transformação.
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