“Chemobrain” ou ainda “Nevoeiro Quimioterápico”
Esse é um tema extremamente importante, pouco discutido, bem conhecido e quase nunca abordado na prática da oncologia.
Se a quimioterapia traz danos a várias células do corpo, muitas vezes o nosso sistema nervoso não consegue escapar, podendo também ser afetado.
Mas afinal, do que estamos falando?
Definição
Disfunção cognitiva relacionada à quimioterapia.
De forma mais simples: é uma perda na função diária, o que se refere à atenção, concentração, memória de curto prazo, esquecimento, busca por palavras, tarefas múltiplas e organização.
Acomete entre 18% e 78% das pacientes com câncer de mama. Os sintomas podem ser autolimitados, mas costumam durar de seis meses a um ano.
Existem relatos de duração mais longa em grupo menor de pacientes.
Causas
São várias:
Relacionadas ao tipo de tratamento: tipo de medicação dose, duração, etc;
Susceptibilidade genética: alguns pacientes carregam uma “tendência” a alterações cognitivas;
Danos inflamatórios que a quimioterapia causa ao organismo;
Fatores hormonais: sabemos o quanto a quimioterapia pode interferir com o nosso equilíbrio hormonal.
Todos levam à disfunção dos neurônios através de mecanismos comuns, como a lesão oxidativa, diminuição dos telômeros, etc. Ou seja, podem prejudicar nossos neurônios.
Tem mais:
Fatores psicológicos: depressão, insônia, ansiedade, etc:
Fatores orgânicos: dor, fadiga (cansaço), aterosclerose (placa de gordura nas artérias), anemia, uso de álcool e de medicações variadas.
Sem dúvida, a sobrecarga emocional pode contribuir, mas como resolver essas questões?
Atenção ao processo
É possível, sim, tentarmos intervenções precoces para diminuir os danos e/ou promover uma recuperação mais rápida.
Mas, primeiro, é muito importante uma boa relação médico-paciente e, principalmente, que exista uma parceria entre pacientes, família e equipe assistente para que os sintomas não apenas sejam percebidos, como também relatados nas consultas.
É necessário descartar a relação dos sintomas com a doença inicial e também descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, etc.
Lembrando que é essencial avaliarmos as medicações que estão em uso, bem como alterações hormonais e deficiência de vitaminas.
Algo mais a fazer:
É comum o paciente acabar o tratamento e querer voltar imediatamente ao ritmo anterior.
Porém, é importante lembrar que tudo deve ocorrer aos poucos.
Evite se cobrar excessivamente e crie um ambiente acolhedor ao seu redor.
Esclareça suas dúvidas e medos com o seu médico.
SEMPRE!
Juntos conseguimos caminhar com alegria e calma!
As orientações citadas neste post são baseadas em diretrizes internacionais que usamos na prática oncológica.
Somos um time!
Talvez ele também faça sentido para alguém que você conhece.
Compartilhe com quem está passando por um momento difícil ou precisa de apoio emocional — às vezes, um simples envio pode ser o início de uma grande transformação.
© 2026 Sabrina Chagas | Oncologista Clínica | CRM 52754960 RQE 14262 – Todos os direitos reservados