Mais do Outubro Rosa: e as negras?
As negras têm mais câncer de mama?
Vamos aos fatos
– Incidência: o câncer de mama é discretamente mais frequente em mulheres brancas do que em negras.
– Incidência em jovens (que ainda menstruam): nesse grupo, a incidência em negras ultrapassa o número em brancas.
A frequência dos (sub)tipos de câncer de mama é igual?
– Mulheres negras costumam ter o grau tumoral maior.
– Em algumas pesquisas internacionais a incidência de tumores triplo negativos é maior em negras.
Obs: tenho um destaque aqui na capa do meus Instagram chamado “mama”.
Nele, explico o que significa “grau” e “triplo negativo” no câncer de mama.
E a mortalidade?
A taxa de mortalidade entre as mulheres negras é 3x maior.
É mais comum serem diagnosticadas em estágios mais avançados.
Por que essa taxa é mais alta?
Diagnóstico tardio;
Barreiras de acesso a exames e tratamentos;
Racismo estrutural no sistema de saúde:
Desigualdade social e económica.
Exames
Mulheres negras e pessoas com menos instrução têm menos acesso à mamografia.
– Enquanto 66,2% das brancas fizeram exame, somente 54% das negras o realizaram no mesmo período.
– Mais de 80% das mulheres do Sul e com ensino superior completo fizeram o exame, mas menos de 20% das do Norte do Brasil e sem formação chegaram a fazer a mamografia.
Como melhorar?
Os sistemas de saúde: o SUS reconhece a importância das iniquidades sociais na saúde e suas políticas seguem o princípio da equidade.
– Mas é importante destacar o suporte às políticas e estratégias que atendam as necessidades de cuidado das mulheres de diferentes grupos sociais, desde a prevenção até o pós-tratamento do câncer de mama, de forma que desigualdades sociais não resultem em desigualdades de atenção.
– Nós seguimos em nosso propósito de levar informação de qualidade, desmistificar a doença e acolhimento. É muito importante ir em busca da nossa saúde (como um todo).
– Com as dificuldades ao acesso e a rotina atribulada ao nosso dia a dia, não é raro vermos pacientes adiando a data de seus exames. Nossa saúde é nosso bem maior!
Que consigamos não desistir!
Infelizmente, uma parcela grande de nossas mulheres ainda esconde suas doenças por medo. Precisamos mudar isso!
Mensagem final:
Lembrem sempre: quanto antes diagnosticada, maior a chance de cura. Independentemente da raça, palpem sempre suas mamas e busquem fazer seus exames! Façam mamografia a partir dos 40 anos!
Hábitos de vida saudáveis (alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, evitar o consumo de álcool, etc.), diminuem o risco em mais de 30%. Em qualquer raça.
Não, não é fácil. Mas temos que usar tudo que temos em mãos.
Existem cada vez mais tratamentos para todos os tipos de câncer. Ao longo do tempo, conseguimos melhorar consideravelmente a qualidade de vida e as abordagens aos pacientes.
Seguindo na mensagem final:
Longe de afirmar que estamos no lugar ideal.
Mas depois de tantos anos na oncologia, percebo que estamos caminhando.
Precisamos de união, amor e informação.
Esse sempre será o melhor destino.