Um olhar sobre o câncer de mama o Triplo Negativo

Um olhar sobre o câncer de mama O TRIPLO NEGATIVO

TODOS SÃO IGUAIS?

O câncer de mama triplo negativo SEMPRE é motivo de muitas perguntas aqui.

É importante lembrar que o câncer de mama não é UMA doença, e sim um leque de VÁRIAS doenças com tratamentos diferentes.

A identidade de um câncer é bem mais complexa do que imaginamos. Através de vários exames feitos a partir da biópsia da mama, conseguimos descobrir qual o subtipo do tumor entre várias opções. Um deles é o TRIPLO NEGATIVO.

O QUE É TRIPLO NEGATIVO?

A cada 10 mulheres com câncer de mama, 2 serão triplo negativas. Mas qual a diferença dos outros?

A principal diferença é que sua origem é distinta da maioria dos outros tumores. Não houve a “ajuda” dos hormônios femininos (estrogênio e progesterona) para o seu crescimento

Por isso, não usamos as medicações que bloqueiam hormônios (como o tamoxifeno, etc) em seu tratamento.

Nele, além dos receptores de estrogênio e progesterona negativos, o Her-2 também é negativo (por isso triplo negativo).

Já falei sobre o Her-2 previamente.

ELE É MAIS AGRESSIVO?

Realmente há uma tendência a ter um crescimento mais acelerado. E também não podemos usar as terapias descritas anteriormente e nem drogas como o herceptin (já que é Her-2 negativo). Isso realmente nos incomoda bastante.

Mas lembre que mesmo sendo TRIPLO NEGATIVO, a decisão do tratamento é feita de forma individualizada. Levamos em conta vários fatores, como o tamanho da lesão, a axila, os tratamentos já utilizados, idade, doenças pré-existentes e muitas, mas muitas outras condições.

CADA TUMOR TEM UM PROGNÓSTICO DIFERENTE.

E O TRATAMENTO?

Esse é um ponto com mudanças relativamente recentes (diria menos de 5 anos).

Além da quimioterapia usual, na maioria das vezes antes da cirurgia (neoadjuvante), tendemos a usar a imunoterapia também (pembrolizumabe).

Depois da cirurgia avaliaremos possíveis tratamentos, entre eles estão quimioterapia (possivelmente oral) e imunoterapia (pembrolizumabe).

Em tumores muito pequenos podemos pensar em operar no início e avaliar a necessidade de quimioterapia, após.

É importante ressaltar que pacientes com tumores triplo negativos, em geral, devem ser encaminhadas ao geneticista.

E NAS PACIENTES COM METÁSTASES?

Quimioterapia segue sendo o tratamento mais utilizado (até porque temos VÁRIAS OPÇÕES), porém temos tratamentos mais recentes que podem (e devem) ser avaliados caso a caso.

Além disso, outras medicações podem ser discutidas de forma individualizada: atezolizumabe, bevacizumabe (com quimioterapia), sacituzumabe, etc.

Lembrem que a definição de cada medicação segue uma avaliação detalhada e exames específicos.

O TRIPLO NEGATIVO TEM CURA?

TODOS OS TIPOS DE CÂNCER TÊM CURA!

Mas ele precisa ser diagnosticado cedo! Por isso falamos TANTO da importância dos exames de rastreio.

E mais: alguns podem ser prevenidos!

Hábitos de vida saudáveis diminuem o risco em até 30% (30% é bastante coisa!) e também diminuem o risco da doença voltar nesse mesmo percentual.

NUNCA se compare com ninguém. Nunca se coloque como um número na estatística, um percentual. Sempre tire as dúvidas sobre o seu caso com o seu médico.

Esse é o caminho!